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terça-feira, 28 de julho de 2015

Jim Morrison - a vontade de potência


Jim Morrison, dotado de ambições titânicas e de uma forte necessidade de transcendência, viveu para exprimir  a sua vontade de potência. A sua ação levava-o a questionar a passividade das pessoas, a subserviência às autoridades, sejam elas quais forem, e quis causar a ruína de todas as leis, criando um círculo mágico mais elevado, entenda-se transcendente, pretendendo a fundação de um novo reino. No seu impulso heróico em direção à universalidade, na tentativa de ultrapassar a barreira da individuação, parecia sentir, como está escrito no Nascimento da Tragédia, “a natureza gemer com a repartição da individuação”. A lenda transgride, perece em Paris e revela-se trágica.

Numa busca metafísica até ao desconhecido, mas queria levar o público consigo, no seu pensar, para um reino melhor, para um lugar ideal.

Os padrões pelos quais a sua arte deve ser avaliada são ancestrais e mais profundos. Ali “o homem diviniza-se, sente-se deus”, diz seu mestre Nietzsche.

Jim Morrison colocou máscaras ancestrais de deuses e titãs regressando aos primórdios. Imergiu no mundo das formas oníricas, para “concluir que existe uma profundidade anterior na contemplação das imagens dos sonhos”(Nietzsche: O Nascimento da Tragédia). Pois os sonhos, apesar de já esquecidos de sua ligação com a nossa ancestralidade, “tem importância análoga para a essência misteriosa da nossa natureza, para a intimidade de que somos a aparência exterior”, diz Nietzsche na Origem da Tragédia. É quando nos damos conta da abolição do tempo que surge, assim, por meio da imitação de arquétipos e da repetição de gestos paradigmáticos.

De fato, não importa como Jim Morrison morreu, apenas como viveu. Não estava procurando a morte, pois esta é nossa companheira o tempo todo, até que ela nos toca no ombro esquerdo (Carlos Castaneda – uma Estranha Realidade), mas sim saboreando intensamente o agora existencial. Ademias, como disse ele certa vez: “não existe morte”, (Ray Manzarek – light my fire, p. 125). Isto é, as coisas passam continuamente pela metamorfose, deixa de estar numa forma para estar em outra, mas continua sendo o mesmo (Carlos Castaneda).

Jim Morrison viveu com o objetivo que o nascimento propõe: descobrir-se a si próprio, sua vontade de potencia, sua força e seu potencial. Ele fê-lo. 

Artigo de Pedro Paulo Lévy - formado em Letras pela UFU (A Universidade Federal de Uberlândia)

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