Livro - Jim Morrison: o poeta-xamã

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O dia em que conheci Jim Morrison

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segunda-feira, 19 de maio de 2008

Jim Morrison - The End e o incômodo criativo



The Doors começou para mim não com um LP (falamos de algo que aconteceu há pelo menos 20 anos), mas com um livro: An American Prayer , do Jim Morrison.

Logo em seguida, veio The End (que vi no Youtube).

Inegavelmente, Morrison era um poeta. Robbie Krieger, John Densmore e Ray Manzarek musicavam seus poemas (ressalva justa seja feita à exceção de Light My Fire , talvez o maior sucesso do grupo, que era composição exclusiva do guitarrista Krieger).

Havia uma convergência de mídias nos Doors. Experimentações que antecipavam tendências, um incômodo criativo, hipertextual, principalmente em Jim. Penso que tenha sido esse incômodo que o levou à Paris mítica de todos os artistas, onde faleceu (a causa ainda é um mistério) em 1971.
Também é misterioso o destino daqueles que foram enfeitiçados pela som tântrico e sinuoso da guitarra de Krieger em The End e despertados pela estranha celebração do King Lizard Jim e dos Doors.

Ouça The Doors, um grupo californiano, e, estranhamente, todos os caminhos parecerão levar àquela Paris mítica.

Em Paris, eu também estive em Le Cimetière du Père-Lachaise. Menos um cemitério do que um ponto de encontro de rockeiros, literatos e outros artistas e intelectuais das mais diversas praias. Pelo menos em um cemitério, constatei, é possível uma convivência pacífica. A morte nos ensina a ser tolerantes.

O Père-Lachaise (faça aqui uma visita virtual) é um ponto turístico de Paris. Fui a pé da Place de la Bastille, pegando o Boulevard Beaumarchais, seguindo o Boulevard des Temples virando à direita na Place da Republique e seguindo até o final da Avenue e la Republique. Andei um pouco, é verdade. Basta seguir visualmente o trajeto no Google Maps. Mas valeu o esforço.

Daí surgiram algumas idéias que foram acabar no meu primeiro romance Santos Dumont número 8 (principalmente em relação aos personagens Mathias Violante e Apollinaire Mont Thabor) e outras, ainda em gestação, que certamente aparecerão em outras histórias que contarei no futuro.

The End, no meu caso, foi apenas um novo começo.

Quando não o seria?


C. S. Soares é escritor, autor do romance Santos-Dumont Número 8 . Obteve o 1.º lugar no concurso literário, em 2004, que possibilitou sua participação na coletânea trilíngüe “Escrevendo a paz / Writing peace / En écrivant la paix” publicada pela UNESCO. Escreve regularmente para os blogs Santos-Dumont Número 8 e Pontolit e é membro correspondente da Academia Itaperunense de Letras. C. S. Soares também é analista de sistemas e tem colaborado em diversos projetos de gestão de conteúdo e ferramentas de busca para empresas no Brasil e no exterior.

O DIA EM QUE CONHECI JIM MORRISON




O livro de *Rogério de Almeida - O Dia em que Conheci Jim Morrison "é uma lírica furiosa o que encontramos neste texto elíptico, sinuoso, em que o autor joga com o sonho e o pesadelo, o inconsciente e a realidade, fundindo o pop e o poético. O seu texto coletivo transborda em gestos largos, abrindo portas para que o complemento seja feito pelo leitor – texto coletivo. Entre uma e outra doa dose de cerveja, temperada com um psicodelismo discreto, esta história penetra nossa percepção estimulando o encontro com quem não somos, mas desejamos, quando distantes de nossa racionalidade.
Rogério Almeida instaura uma nova possibilidade de criação, que reflete a atualidade de seu discurso, mixando textos clássicos, sampleando citações, criando uma teia ilusória que prende o leitor em seu universo paralelo de vozes dissonantes, costuradas com perfeição pela voz do narrador-personagem, que caminha com MORRISON sem sabermos se os seus destinos são paralelos ou irão convergir em um personagem-síntese, único.

Pop e filosofia se misturam num debate existencialista, em que a representação de JIM MORRISON é transportada para um espaço imaginário, fractalizado, para uma dimensão fragmentada pelo qual nos guia um MORRISON místico, entre os limites do desejo e da frustração.

O dia em que conheci Jim Morrison nos propõe uma libertação, não apenas fuga cotidiana, mas um encontro com o ato de criar. Uma obra original em um mundo recheado de cópias. Uma literatura verdadeiramente universal e coletiva. Ligth my fire".

Prefacio de Patricio Dugnani


Rogério de Almeida é professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), poeta, formado em Letras pela USP e doutor em Cultura, Organização e Educação pela Faculdade de Educação da USP. É autor de "Alucinação", "O Dia em que Conheci Jim Morrison" e organizador de "Metamorfopsia da Educação: hiatos de uma aprendizagem real", todos publicados pela Editora Zouk.


domingo, 18 de maio de 2008

JIM MORRISON LEITOR DE NIETZSCHE





James Douglas Morrison nasceu no dia 8 de dezembro de 1943 na cidade de Melbourne, Florida - EUA. Sagitariano, ele era poeta de corpo e alma. Seus amigos mais íntimos eram os outros membros da banda, sua namorada Pam e aqueles que o acompanharam desde o começo de sua carreira.

Antes de ser um músico, Morrison era um poeta, muitas vezes incompreendido. Sua sinceridade, seu jeito de expor a mais dura realidade sobre a humanidade em suas poesias conquistaram grande multidão, mas também afastavam aqueles que não compreendiam suas atitudes. Sua escrita virou porta-voz de um movimento, de uma alternativa ao status-quo social, na sua “in your face poetry” (poesia na cara).

Do seu filósofo favorito, Friedrich Nietzsche(entre outros), Morrison tirou alívio e incentivo para dizer “sim para a vida”. Ele não era mais um suicida do rock, como muitos acreditam, mas escolheu intensidade ao invés de duração. Tornou-se o que Nietzsche definia como “aquele que não nega, que não diz não, que se atreve a se criar”.

Uma outra citação do filósofo influenciou a vida do músico: “Dizer sim à vida até diante de seus problemas, mais estranhos e difíceis; o desejo de viver acima de exaustão mesmo diante dos maiores sacrifícios — isso é o que chamo de Dionísio, o que entendo como a passagem para a psicologia do poeta trágico. Não para se dispor do trágico e da compaixão, mas para transformar-se na alegria eterna de transformação, acima de qualquer terror ou piedade”. Foi justamente a sede insaciável de Morrison que o matou e não a vontade de morrer.

Van Gogh, Rimbaud, Baudelaire, Poe, Blake, Artaud, Nijinsky, Byron, Dylan Thomas, Brendan Behan, Jack Kerouac, aqueles que sentiam a vida muito intensamente para agüentar vivê-la. Os loucos, intragáveis, perdidos, indomáveis, os artistas resistentes e cabeças-duras, insistentes em serem fiéis a sua natureza a qualquer preço — essa era a linha com a qual Morrison se identificava. Ser um poeta significava muito mais que escrever, pintar ou cantar; significava ter uma visão e a coragem para realizá-lo, independente de quaisquer posições.

Quando perguntado por uma revista pop como se preparava para o estrelismo, Morrison respondeu: “Parei de cortar o cabelo”. (...) O cantor usava as drogas para abrir a mente, expandir a consciência, a imaginação, para “ter acesso” a um mundo de outra forma fechado.

O interesse de Jim Morrison pelo desconhecido é bem documentado em suas poesias e escrituras. “Há coisas que sabemos. E há coisas desconhecidas, e entre elas, existem as portas (the doors)”, dizia. Apesar dessa frase ser, freqüentemente, atribuída ao poeta William Blake, eram as palavras de Morrison. Seu compromisso em desvendar o desconhecido desde o início de sua carreira, foi justamente o que acabou por terminar com o homem e com a banda.

Ele se recusava a comprometer sua arte. Este foi o seu bem e também o seu mal, ir até o fim dessa busca ou morrer tentando: tudo ou nada. E justamente por ele não industrializar ou popularizar o que escrevia, não conseguia fingir desespero ou êxtase. O que fazia não era mero entretenimento nem simplesmente a realização de movimentos já condicionados; ele era brilhante e desesperado, motivado pela necessidade de “testar os limites da realidade”, sondar o sagrado e explorar o profano.

E isso o deixou louco para criar, para ser real. Essas mesmas qualidades o fizeram volátil, perigoso e o deixaram num conflito perverso consigo mesmo. Procurava consolo e alívio nas mesmas substâncias que inicialmente o inspiraram e o fizeram criar: — as drogas.

As teorias do teatrólogo surrealista francês, Antonin Artaud, a respeito do confronto (discutidas no livro “O teatro e seu duplo”) tiveram influência marcante em Morrison e também no grupo como um todo. Em uma das passagens mais fortes do livro, Artaud faz um paralelo entre a peste bubônica e a ação teatral, afirmando que o teatro tem que conseguir afetar a catarse no espectador da mesma forma que a peste bubônica purificou a humanidade. A meta? “Que eles (espectadores) fiquem apavorados e acordem”. “Quero acordá-los. Eles não entenderam que já estão mortos”, dizia o músico.

Morrison iria gritar “Acordem” mil vezes na tentativa de sacudir o público e tirá-los de seu estado adormecido, “ninguém sai daqui vivo” ele cantava na música “Five to One”. E quando se confronta o tipo de medo e terror evocados por músicas como “The End”, algo dentro da gente muda, se altera, deixa de ser.

Final da década de 60 e as bandas cantavam sobre amor e paz, mas com The Doors era diferente. Quando a música acabava permanecia o silêncio, a serenidade, a conexão com a vida e a confirmação da existência de cada um. Mostrando o Inferno, The Doors levava seu público ao “Céu”. Evocando temas sobre a morte, mostrava que estavam vivos.

Alexandre Fontoura - escritor e colunista do Jornal do Brasil 

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