Livro - Jim Morrison: o poeta-xamã

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O dia em que conheci Jim Morrison

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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Prefácio a Jim Morrison - Michael Mcclure

O poeta William Blake disse, «a estrada do excesso leva ao palácio da sabedoria.» Jim morrison compreendeu isso e foi imoderado. Ou os poetas chegam à sabedoria porque são de fato, poetas, ou nunca lá chegam porque são loucos divinos. É uma e a mesma coisa. Outro provérbio de Blake extraído do Marriage of heaven and hell declara, «a prudência é uma velha, rica e feia solteirona cortejada pela incapacidade.» Jim não foi prudente e acontece que conheceu raras vezes a incapacidade.

Jim foi um herói metamórfico que nos emocionou com a sua energia e a sua coragem. Percebia com os seus sentidos e alterou-os com álcool (sagrado para Dionísio, o deus do drama e da embriaguez), com ácido e com o elixir interior da sua própria exaltação e exuberância. Jim foi uma das almas mais brilhantes que jamais conheci, e uma das mais complexas – todos nós, seres mamíferos feitos de carne e nervos, somos compelidos a ser complexos.

Jim ficou fascinado pela experiência dos seus sentidos e estava continuamente encantado pelas alterações do seu sistema nervoso. Quando deixou de ser o cantor (vestido de couro, símbolo do sexo) dos Doors, tornou-se no belo destroço que floresceu num cantor corpulento e melancólico. Uma das coisas de que eu gosto nesta biografia é que mostra que Jim se reconheceu como poeta. Essa foi a base da minha amizade e camaradagem com ele. Também os autores reconhecem que Jim não foi materialista, a correr atrás do dólar, como são muitos artistas do Rock and Roll. A modalidade que Jim amou foi a da experiência e da ação. Ele quis a transubstanciação da natureza material para a riqueza do prazer descontente.

Jim e eu juntamo-nos em Londres para discutir um filme sobre a minha peça The Beard. Jim encontrou-se comigo no aeroporto e eu falei-lhe de imaginar poetas românticos a voar através do céu noturno em volta do avião. Mostrei-lhe um poema novo sobre «Billy the Kid», e ele, espontaneamente, escreveu um poema para Jean Harlow no meu caderno de apontamentos. Fizemos o circuito dos poetas na cidade, desde as espeluncas de strip em soho até ao museu tate, e depois demos um passeio ao luar com o poeta Christopher logue para ver o hospital que agora fica no local onde Blake viveu. Tornamo-nos «habitués» transitórios dos clubes de música, o «The Bag of Nails» e o «Arethusa», onde vimos Christine keeler, estrelas de cinema, bebemos copos de courvoisiers e tivemos conversas filosóficas com realizadores cinematográficos. Vi pela primeira vez em Londres poemas de Jim, à luz lúcida e mescalínica de uma ressaca, encontrei o seu manuscrito de The New Creatures na mesa de café do seu apartamento em Belgravia e fiquei excitado pelo que li. Não conheço nenhum poeta melhor da geração de Jim. Poucos poetas têm sido assim figuras públicas ou homens do espectáculo (talvez Mayakovsky na Rússia nos anos vinte e trinta) e nenhum teve uma carreira tão curta e tão poderosa. Toda a gente tem ouvido a música dos Doors e conhece a lenda pública, mas desgostava a Jim a possibilidade da sua poesia ser lida por ele ser uma estrela de rock. Guardou os seus poemas refletida e cuidadosamente, e trabalhou neles em segredo. Quando vi o seu manuscrito de The New Creatures em Londres, sugeri que Jim fizesse uma edição particular apenas para os amigos e depois desse o livro a um editor comercial, se quisesse. Foi o que aconteceu. Jim incorporou dois artistas num só, o cantor apaixonado e apaixonante (vi Jim cantar durante tanto tempo que a audiência teve que se sentar no chão para ouvir) e o jovem poeta calmo, talentoso e distinto. Ele era o Sr. Mojó Risin e era James Douglas morrison, um poeta de descendência Escocesa-Americana. Fiz récitas de poesia com Jim e senti a sua excitação e determinação em ser ouvido a esse nível. Ouvi Jim, depois da sua morte, em gravação numa sala de jogo que foi em tempos um forte Alemão na África Oriental. Em todas as ocasiões ouvi um artista. Quando leio Jim, sinto o amigo que me falta. Sinto que Jim lá está, como um irmão com quem falar.

Só a morte da morte pode salvar / o amor é morte, e deste modo corajoso / o amor pode encher a sepultura mais funda / o amor ama por debaixo da vaga / a presença e a obra de Jim criaram uma vaga vibrante, e ele perfila-se como uma estátua luminosa a cantar perante os projetores e a amplificação. Mas os seus poemas e musicas continuam a demonstrar, com subtileza, que só a morte da morte pode salvar.

Michael Mcclure – poeta, dramaturgo e ensaísta

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