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O dia em que conheci Jim Morrison

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terça-feira, 6 de maio de 2008

JIM MORRISON, BOB DYLAN e a rapaziada dos dois neurônios


Tem essa não, falou. Papo de “cinqüentão”, estou fora. Maior invenção maledicente desse pessoal do samba. Roqueiro é roqueiro, não tem essa de ficar tirando onda com a idade do cara. Até porque esse lance aí de “juventude” tem suas relatividades. Energia = mc5. Se liga, meu. Quando eu tava em pleno esplendor do meus 16 anos — saradaço, pegando onda, pegando os brotos, estraçalhando geral com a minha Giannini sg vermelha e preta igualzinha à do Angus Young — qualquer um com mais de 25 velinhas no bolo ganhava de imediato o título de cidadão honorário da terra de Matusalém. Já hoje, gozando da vasta sabedoria, experiência e savoir-faire de quem lavrou no currículo 1 300 shows, 6 200 lps, quatro empregos, dois casamentos (e um terceiro à espreita), um casal de filhotes daqueles de deixar a galera do Arpex babando de inveja, sete guitarras, seis pranchas, 58 pontos na cabeça e algumas toneladas de substâncias exóticas devidamente catalogadas, sinto até pena desses guris que têm menos horas de vida que os meus ouvidos de head-phone. Mudei euzinho? Não. Mudou o mundo? Muito menos. Quem mudou foi o calendário. O resto segue igual. Quem vem atrás é pirralho; quem está na frente, coroa. O roqueiro continua ali, reinando soberano no centro do mundo.

Não vou fazer cerimônia, nem usar de falsa modéstia. Fui criado ouvindo The Who e tenho desde pequeno esse hábito desaforado de chamar as coisas pelo nome. Digo o que penso. Quem quiser que goste. Para quem não gostou, aquele abraço. Verdade não tem duas. Pode anotar aí nos seus alfarrábios sertanejos: o roqueiro é antes de tudo um forte. E essa característica — que está na própria essência da condição roqueira — acompanha o cara por toda a vida. Se assuste não. Tem muita filosofia no que eu digo. Sol e som nunca fizeram mal ao cérebro. Experimenta passar trinta anos decifrando Bob Dylan para ver se tu não ganha uma substância. Roqueiro burro nasce morto. Essa rapaziada aí dos dois neurônios, que gosta de Iron Maiden e Sepultura, a gente chama de “os metaleiro” — assim mesmo, no singular presidencial, porque a lindeza do plural majestático ficou reservada para quem já brincava de forte apache ouvindo “Voodoo child”.

A negada mais esperta. Só com muito rock pra agüentar, saca? Led Zeppelin na veia. Jim Morrison no céu, Van Morrison na terra. E os milicos só dificultando… Qualquer coisa que tivesse a ver com rock caía no valão do supérfluo: 10 mil por cento de imposto.



Texto do reporter MARCELO O. DANTAS – Revista Piauí
MARCELO OTÁVIO DANTAS, 43, formado em ciências econômicas pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), escritor, roteirista e diplomata de carreira, é chefe da Divisão de Assuntos Multilaterais Culturais do Ministério das Relações Exteriores e autor "Podecrer!".
http://www.revistapiaui.com.br/artigo.aspx?id=69&pag=1

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