Livro - Jim Morrison: o poeta-xamã

Livro - Jim Morrison: o poeta-xamã
Clique na foto

Livro: O dia em que conheci Jim Morrison

Livro: O dia em que conheci Jim Morrison
Clique na Foto

Livro: Riders on the Storm: Minha vida com Jim Morrison

Livro: O grito, o mito e a história em Jim Morrison - A arte como choque e redenção

Livro: Jim Morrison - O Navio de Cristal

Contato

anaweltt@gmail.com

terça-feira, 22 de julho de 2014

Jim Morrison pulsa excitante e hipnótico


Jim Morrison foi uma daquelas figuras premiadas do mundo. Se há algo que não dá para negar é que nunca lhe faltaram carisma, bela voz e charme, além de poesia e ousadia em sua música. Homem que cantou temas como ''Waiting For The Sun'' e ''Take It As It Comes'' ao lado da banda The Doors, sua figura segue forte mesmo após 43 anos de sua morte, completados hoje.
Morrison começou a carreira na Califórnia, nos Estados Unidos, nos anos 1960, depois de se formar, e deu adeus ao mundo aos 27 anos, em 1971, em seu apartamento em Paris (França), onde está enterrado, no cemitério Père Lachaise. Até hoje se debate as causas de sua morte que, pelo laudo oficial, foi resultado de parada cardíaca. Biógrafos já cogitaram como causa overdose e até assassinato. Mas, como afirmava Manzarek: “o que importa é a sua obra, o homem Jim, não como morreu”.
A obra que ele registrou segue nas prateleiras mundo afora, inclusive no Brasil. Bandas que promovem releituras de seu legado surgem o tempo todo. Além dos que conheceram sua música enquanto era vivo, a força de seu trabalho é tamanha que cativa uma geração que nasceu após sua morte.
O produtor artístico e tecladista de Mauá Marcos Mauricio, 26 anos, é um desses casos. “Conheci o Doors aos 18 e me identifiquei assim que escutei”, diz. Ele conta que a música do grupo influencia sua arte diretamente. Para ele, além das harmonias e timbres, as letras contraditórias, malucas e poéticas de Morrison fazem essa música ser especial.
Jornalista especializado em música, Edu Guimarães acredita que, além do talento como letrista, não dá para negar que o fato dele ter sido um homem bonito ajudou a popularizar e perpetuar sua imagem. “Ele tinha aquela postura típica de astro do rock, com um certo desleixo rebelde, sedutor e desafiador. A morte do cantor, ainda jovem, certamente é um fator importante a ser considerado nesse mito em que se transformou”, afirma.
O músico andreense Marcinho Batera teve o primeiro contato com a música de Morrison com o disco ''L.A. Woman'', por conta de seu tio, há cerca de 20 anos. Hoje é um dos que mantém uma banda cover de The Doors. “Morrison fazia cinema e era amante da poesia, além de ter um carisma incrível e um poder com as palavras que o diferenciavam de outros cantores”, diz.
Muitos dizem que tanto Morrison como o The Doors estavam à frente do seu tempo. O que é verdade. Músico, professor de guitarra e violão e que também toca numa banda cover do Doors, Deinesh Gabor, de São Bernardo define a música da banda assim: “Composições geniais que podem te levar facilmente a outra atmosfera, de clima misterioso, excitante, hipnótico. Realmente um som único”.
Conhecedor, pesquisador e apaixonado por rock, Ricardo Martins, o Rick, dono da loja Rick and Roll Discos, em São Caetano, acredita que Morrison sabia que tinha uma missão na terra. “Assim como John Lennon, ele viveu intensamente e seu maior legado não foi apenas a música, mas o conjunto de sua obra literária, seja nas provocações, na postura cênica e cínica ou na forma como conduziu sua vida, beirando o suicídio.”
Aos que quiserem conhecer um pouco do que cantou o mito Morrison, a Warner Music devolve agora ao mercado o CD duplo ''Weird Scenes Inside The Gold Mine'' (R$ 36,90 em média), coletânea lançada originalmente em 1972 e que conta com 22 músicas. 

Idolo ganhou homenagens em outras artes

A música de Jim Morrison e do grupo The Doors se mostrou grande o bastante desde seu estouro na década de 1960. Sua importância é tamanha que ganhou homenagens em outras linguagens artísticas tempos depois, reforçando seu posto de ídolo.
De uma maneira um pouco mais poética, o ator Eriberto Leão lida com o legado do norte-americano no musical ''Jim'', que teve temporada de sucesso no Rio de Janeiro e com rápida passagem por Brasília em maio. O paulista pesquisou músicas e textos para tentar compreender a arte por trás da mente criadora do clássico ''Light My Fire''. No palco, ele viaja entre personas – incluindo uma reencarnação brasileira de Morrison – para buscar a intensidade e densidade do autor.
Artigo de Vinícius Castelli 


.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

The Doors não tem continuadores



Jim Morrison, o poeta discípulo de Dionísio

Dr. Bruno Ferreira
e  Ana Welt


Morrison era grande entusiasta do visionário Blake, tendo dado nome à banda em referência às Portas da Percepção blakeanas. Há inclusive versos de Morrison que erroneamente são atribuídos a Blake, e que definem conceitualmente a banda: “There are things known, and there things unknown. And in between are the doors” (“Há coisas conhecidas, e há coisas desconhecidas. E entre elas há as portas”). Morrison, que era conhecido por vários nomes, como o Lizard King (“Rei Lagarto”) ou Mr. Mojo Risin‟ (anagrama de seu nome, talvez) era contra a sociedade estabelecida, repressiva, autoritária, não aceitava autoridade, e por diversas vezes foi preso por indisciplina. Morrison, Influenciado pelos autores de sua rica formação, tendo lido muito, dentro e fora da Universidade, com seu grande interesse pelo misticismo da cultura indígena, o The Doors foi a primeira banda de rock a tratar um show como um ritual, não como entretenimento. Foi por isso que Alberto Marsicano afirmou: “The Doors não tem continuadores”. O palco era o altar e Jim, o sacerdote, ou por vezes literalmente o xamã, a inclusive dançar nos moldes indígenas, sob efeito de transe e/ou embriaguez dionisíaca. E quando nos referimos ao deus do vinho, estamos, de certa forma, atestando no rock o que Nietzsche definiria como característica intrínseca da música: a dualidade entre Apolo e Dionísio.

Se a música aparentemente já era conhecida como uma arte apolínea, ela
o era apenas, a rigor, enquanto batida ondulante do ritmo, cuja força
figuradora foi desenvolvida para a representação de estados apolíneos.
(...) Mantinha-se cautelosamente à distância aquele preciso elemento que,
não sendo apolíneo, constitui o caráter da música dionisíaca e, portanto,
da música em geral: a comovedora violência do som, a torrente unitária
de melodia e o mundo absolutamente incomparável da harmonia. No
ditirambo dionisíaco o homem é incitado à máxima intensificação de
todas as suas capacidades simbólicas; algo jamais experimentado
empenha-se em exteriorizar-se, a destruição do véu de Maia, o ser uno
enquanto gênio da espécie, sim, da natureza. Agora a essência da natureza
deve expressar-se por via simbólica; um novo mundo de símbolos se faz
necessário, todo o simbolismo corporal, não apenas o simbolismo dos
lábios, dos semblantes das palavras, mas o conjunto inteiro, todos os
gestos bailantes dos membros em movimentos rítmicos. Então crescem as
outras forças simbólicas, as da música, em súbita impetuosidade, na
rítmica, na dinâmica e na harmonia. Para captar esse desencadeamento
simultâneo de todas as forças simbólicas, o homem já deve ter arribado
ao nível de desprendimento de si próprio que deseja exprimir-se
simbolicamente naquelas forças: o servidor ditirâmbico de Dionísio só é,
portanto entendido por seus iguais! Com que assombro devia mirá-lo o
grego apolíneo. Com um assombro que era tanto maior quanto em seu
íntimo se lhe misturava o temor de que, afinal, aquilo tudo não lhe era na
realidade tão estranho, que sua consciência apolínea apenas lhe cobria
como um véu esse mundo dionisíaco [Nietzsche – O nascimento da tragédia, pp. 36-37]


 Em “Break on Through to the Other Side” (“Irrompendo para o outro lado”), encontramos esse apelo a que se refere Nietzsche. O rock’n‟ roll, cuja tradução literal de seu termo seria “sacudir e rolar” tem como princípios formadores a ligação com a energia corporal, sinestésica, rítmica  do corpo. É uma música intensa, cujo corpo reage de acordo. Morrison se serve do Rock por algum tempo para abrir canais e fazer expressar, por meio da dança, o ritual no palco, e fazer abandonar o marasmo hipócrita do dia-a-dia e buscar um nirvana, mas sabe que apenas fazer isso mentalmente não é o suficiente. O transe a que ele se submete não é apenas mental, mas físico também. Blake mesmo não fazia dissociação de corpo e alma, como vimos. Para ele, o corpo era uma projeção da alma enquanto neste mundo.

You know the day destroys the night,
Night divides the day
Tried to run, tried to hide,
Break on through to the other side,
Break on through to the other side,
Break on through to the other side
We chased our pleasures here,
Dug our treasures there,
But can you still recall the time we cried?
Break on through to the other side,
Break on through to the other side.

Já na canção “Crystal Ship” (“Barco de Cristal”), temos um sensual Morrison, inebriando seus sentidos da forma que também aprendera com Rimbaud, outro poeta rebelde de grande influência para sua arte.

Tal ode ao amor livre, descompromissado, ao êxtase tântrico, de elevação carno-espiritual, de inspiração no mito nórdico [Modesto, p.199] possui sua provável origem em “The Crystal Cabinet” (“A Cabine de Cristal”), de Blake:

The Maiden caught me in the wild
Where I was dancing merrily
She put me into her Cabinet,
And lock'd me up with a golden key
A Donzela pegou-me na floresta
Onde eu dançava alegremente
Ele me pôs dentro de sua Cabine
E me trancou com uma chave dourada
This cabinet is form'd of gold
And pearl and crystal shining bright
And within it opens into a world
And a little lovely moony night


[Blake, The Complete Poetry and Prose of William Blake, p. 488-489.
Tradução livre].

Enfim, a rica, intensa e conturbada carreira do The Doors com Jim Morrison foi meteórica, durando apenas quatro anos, mas tendo sido tempo suficiente para marcar as gerações de jovens amantes do rock’n roll, da busca por mudanças, por liberdade, transcendência, amor livre, encontraram no gênio de Morrison um exemplo máximo a ser seguido.





Jim Morrison: o poeta xamã - Livro do prof. Marcel Lima



O sagrado segundo Jim Morrison. Pesquisador da UFMG lança livro que relaciona xamanismo e poesia na obra do astro do rock


O livro é um desdobramento da dissertação de mestrado defendida pelo autor em 1996 - Jim Morrison: the articulation of the Shaman- Poet in the poetic tradition,  na Faculdade de Letras da UFMG (Fale), onde atualmente é professor adjunto e desenvolve pesquisas que articulam estudos literários e religião. 

O livro vem cobrir uma lacuna a respeito da obra de Jim Morrison, bem como aprofundamento da sua poesia que está ligada a uma antiga tradição. 

Marcel de Lima Santos -  professor de literaturas de língua inglesa da Faculdade de Letras (Fale) da UFMG. O professor Marcel de Lima Santos é também autor de The Book of Nurizen (2005), Trinsparição é conseguimento (2005), Xamanismo: a palavra que cura (2007). Tem realizado pesquisa na área de Estudos Culturais, particularmente em literatura e religião e em etnopoética.





Seguidores

popular posts